ARISTOLOCHIACEAE

Aristolochia raja Mart. & Zucc.

Como citar:

Marta Moraes; Rodrigo Amaro. 2017. Aristolochia raja (ARISTOLOCHIACEAE). Lista Vermelha da Flora Brasileira: Centro Nacional de Conservação da Flora/ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

EN

EOO:

3.853,381 Km2

AOO:

36,00 Km2

Endêmica do Brasil:

Sim

Detalhes:

Espécie endêmica do Brasil, com registros exclusivos ao estado do Rio de Janeiro; registrada para os municípios de Italva, Niterói e Rio de Janeiro. É mais comumente encontrada no Parque Estadual da Serra da Tiririca, em Niterói, entre 0 e 100 m de altitude (Freitas e Lirio, com. pess.).

Avaliação de risco:

Ano de avaliação: 2017
Avaliador: Marta Moraes
Revisor: Rodrigo Amaro
Critério: B1ab(i,ii,iii,iv)+2ab(i,ii,iii,iv)
Categoria: EN
Justificativa:

Liana conhecida por registros efetuados nos municípios de Niterói, Italva e Rio de Janeiro, no norte fluminense, foi recentemente coletada no Parque Estadual da Serra da Tiririca pela campanha “Procura-se” (CNCFlora/JBRJ/SEA). É possível suspeitar, com base nas informações fornecidas pelos especialistas, que a espécie tenha subpopulações bem pontuais e com poucos indivíduos, uma vez que suas sementes, desprovidas de arilo, parecem estar adaptadas à dispersão em curtas distâncias e seu tempo de geração foi estimado em cerca de 60 meses. Lírio e Freitas (com. pess.) também indicaram a existência de três subpopulações conhecidas, além de reportarem a provável extinção da subpopulação documentada historicamente na cidade do Rio de Janeiro. Essa subpopulação possivelmente desapareceu após o acelerado processo de expansão urbana pelo qual a cidade passou, principalmente nas localidades que costumava ocupar. A subpopulação encontrada dentro dos limites do Parque Estadual da Serra da Tiririca, apesar da aparente estabilidade, encontra-se vulnerável aos efeitos do turismo desordenado e à consequente degradação de seu hábitat. Com EOO=3359 km², AOO=36 km², subpopulações apresentando distribuição pontual e sujeitas a menos de cinco situações de ameaça, suspeita-se que esteja havendo declínio contínuo da EOO, AOO, qualidade do hábitat e número de subpopulações.

Último avistamento: 2016
Quantidade de locations: 4
Possivelmente extinta? Não

Perfil da espécie:

Obra princeps:

Descrita por Mart. & Zucc. em Nov. Gen. Sp. Pl. 1: 78 (1824), Aristolochia raja é uma espécie trepadeira, com pseudoestípulas orbiculares; Folhas membranáceas transversalmente oblongas com um pequeno lobo central formando o ápice; Flores axilares, solitárias, unilabiadas; limbo côncavo de coloração amarela intenso, glabro no ápice e com tricomas esbranquiçados na base e entrada do tubo (Hoehne, 1927; Mart. e Zucc., 1824). Fruto oblongo, septicida; Sementes cordado-triangulares, rugosas e com rafe pouco proeminente (Hoehne, 1927)

Valor econômico:

Potencial valor econômico: Sim
Detalhes: Espécies do gênero Aristolochia são amplamente utilizadas na medicina popular (Heinrich et al. 2009). Além disso, A. raja tem potencial ornamental (Lírio e Freitas, com. pess.).

População:

Flutuação extrema: Desconhecido
Tamanho: absolute • 1
Número de subpopulações: absolute • 3

Tempo de geração:

Detalhes: greater then • 60
Justificativa:

Devido à observações de outras espécies do gênero, acredita-se que a espécie tenha tempo de geração maior que 60 meses (Freitas & Lirio, com. pess.).

Número de indivíduos na maior subpopulação: absolute • 2
Redução populacional: greater then • 2
Detalhes: A espécie possui três subpopulações, a maior com dois indivíduos (Lírio e Freitas, com. pess.). Devido à observações de outras espécies do gênero, acredita-se que a espécie tenha tempo de geração maior que 60 meses (Freitas e Lirio, com. pess.).

Ecologia:

Substrato: terrestrial
Forma de vida: liana
Fenologia: perenifolia
Longevidade: unkown
Luminosidade: heliophytic
Biomas: Mata Atlântica,
Vegetação: Floresta Ombrófila (Floresta Pluvial)
Fitofisionomia: Floresta Ombrófila Densa
Habitats: 1.6 Subtropical/Tropical Moist Lowland Forest,
Clone: unkown
Rebrotar: unkown
Detalhes: A espécie é uma liana terrestre, heliófila, perenifólia que ocorre em floresta ombrófila densa no estado do Rio de Janeiro (Freitas e Lirio, com. pess.). Crescimento clonal e rebroto são desconhecidos para a espécie (Freitas e Lirio, com. pess.).

Reprodução:

Detalhes: A espécie é monóica, iterópara. Foi registrada com flores de setembro a janeiro e março e frutos em janeiro, setembro e maio. Provavelmente é polinizada por insetos como as demais espécies do gênero (González e Pabón-Mora, 2015) e adaptada a dispersão a curtas distâncias.
Fenologia: flowering (Sep~Mar), fruiting (Jan~Sep)
Síndrome de polinização: entomophily
Dispersor: A espécie possui sementes achatadas, desprovidas de arilo. São provavelmente dispersas a curtas distâncias (Lírio e Freitas, com. pess.)
Polinizador: Informações sobre o polinizador: Provavelmente polinizada por insetos, como as demais espécies do gênero (González e Pabón-Mora, 2015).
Estratégia: iteropara
Sistema sexual: monoecious
Sistema: unkown
Referências:
  1. González, F., Pabón-Mora, N, 2015. Trickery flowers: the extraordinary chemical mimicry of Aristolochia to accomplish deception to its pollinators. New Phytologist (2015) 206: 10–13

Ameaças (2):

Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.2 Ecosystem degradation 1.1 Housing & urban areas occurrence, past,present,future regional high
Os espécimes no município do Rio de Janeiro foram coletados a mais de 70 anos, constituindo coletas históricas, onde provavelmente a espécie não ocorra atualmente devido à antropização e sua exploração pelo potencial ornamental (Lírio e Freitas, com. pess.).
Estresse Ameaça Declínio Tempo Incidência Severidade
1.2 Ecosystem degradation 6.1 Recreational activities past,present,future regional medium
As localidades onde a espécie ocorrem são alvos de visitação intensa o que favorece a degradação do habitat da espécie e sua exploração devido ao potencial ornamental (Lírio e Freitas, com. pess.).

Ações de conservação (2):

Ação Situação
3.4 Ex-situ conservation needed
É necessário o cultivo da espécie em coleções ex-situ (Lírio e Freitas, com. pess.).
Ação Situação
2.1 Site/area management needed
É necessária a gestão das UCs em que as subpopulações da espécie ocorrem para evitar a degradação do habitat e a exploração da espécie para uso ornamental (Lírio e Freitas, com. pess.).

Ações de conservação (1):

Uso Proveniência Recurso
17. Unknown